O POLTERGEIST DE ST. CATHARINES


Recriação de alguns dos fenómenos ocorridos em St. Catharines, Ontario, Canadá - Fonte: Dailymotion

Um dos casos de poltergeist mais sólidos de todos os tempos, é paradoxalmente também um dos menos conhecidos do público. Aconteceu em 1970, na cidade de St. Catharines, na província de Ontario, no Canadá.

A casa onde os fenómenos paranormais ocorreram, no número 237 da Church Street, já foi demolida há vários anos, e de acordo com a pesquisa que efetuei no Google Maps Canada, a mesma foi substituída por uma prosaica pizzaria, de seu nome Pete's Pizza. Não consegui confirmar se os atuais clientes do Pete's Pizza são atingidos por pizzas voadoras mas também não é muito relevante para o conteúdo deste artigo...



O número 237 da Church Street atualmente - Fonte: Google Maps Canada

O que importa referir é que o poltergeist de St. Catharines foi recentemente analisado de forma mais profunda, nomeadamente pelo jornalista inglês Michael Clarkson, através do seu livro Poltergeists: Examining Mysteries of the Paranormal, publicado pela primeira vez em 2006. Posso dizer sem sombra de dúvida que este foi o livro mais interessante sobre poltergeists que já li até hoje.
Michael Clarkson é um jornalista de investigação e orador muito famoso, que já foi inclusivamente nomeado para o prémio Pulitzer pelo trabalho que desenvolveu no Canadá, país onde reside há muitos anos. Talvez seja o facto de Michael Clarkson não ser um estudioso "profissional" de fenómenos paranormais, que torna o seu livro ainda mais interessante e impressionante. Michael Clarkson disse várias vezes que sabia o risco que corria ao escrever sobre este tema, mas ainda bem que o fez.


Uma das características recorrentes dos poltergeist, diz-nos que quase sempre existe um jovem envolvido, normalmente na sua pré-adolescência. O caso de St. Catharines não é exceção. Todas as testemunhas que presenciaram os fenómenos (e foram muitas), são unânimes em apontarem o jovem de 11 anos, filho do casal que residia no 237 da Church Street, como sendo o catalisador dos fenómenos (os nomes verdadeiros dos intervenientes são, até hoje, desconhecidos). Para facilitar, vamos dar um nome ao jovem: Peter Page.

Tudo começou no final de Janeiro de 1970, quando a família Page, um casal com dois filhos, um de 11 anos e outro de oito, começaram a experienciar fenómenos paranormais na sua casa. Os móveis moviam-se sozinhos, os quadros caiam das paredes e existiam barulhos de origem desconhecida. O departamento de engenharia da cidade, a companhia do gás, os bombeiros e outras entidades foram chamadas, mas não encontraram problemas ou anomalias. Até que um dia, por mero acaso, a polícia acabou por se envolver no assunto. Aliás, os diversos testemunhos escritos de vários agentes da polícia que acabariam por presenciar os fenómenos, são um dos fatores mais extraordinários deste misterioso enigma paranormal.


O agente Crawford e a mãe de Peter observam com assombro a cama de Peter suspensa no ar cerca de 60 cm (recriação) - Fonte: Dailymotion

A foto acima procura recriar um dos primeiros fenómenos presenciados pela polícia, no dia 7 de Fevereiro, às 10 da noite. O agente Crawford do departamento de polícia de St. Catharines, ao chegar à residência dos Page deparou com uma mulher (Mrs. Baines), que saia da casa nesse momento, em pânico, pois dizia ter visto a cama do jovem Peter levantar-se sozinha, numa das extremidades, cerca de 60 centímetros acima do chão. Não querendo acreditar, o agente Crawford correu até ao quarto do jovem e verificou com assombro, que dois dos pés da cama estavam realmente suspensos no ar, sem a ajuda de nenhuma pessoa ou truque. Ainda incrédulo, chamou outro colega da polícia de St. Catharines, o agente Richard T. Colledge, que estava na rua, fora do apartamento.


Agente Richard T. Colledge, da polícia de St. Catharines - Fonte: Dailymotion

O agente Colledge, ao chegar ao quarto do jovem Peter Page verificou que a cama ainda estava na mesma posição, mas agora com duas cadeiras por baixo dos pés que tinham "levitado". No final deste artigo, poderão ver o agente Colledge num vídeo retirado do site Dailymotion, a ser entrevistado para um documentário sobre o poltergeist de St. Catharines.


Enquanto estava à porta do quarto, Colledge afirma ter visto um quadro pendurado numa parede, ter sido arrancado da mesma, passado por cima de uma cama numa trajetória em arco, e caído no chão. Espantado, disse: "Não é possível que o quadro tenha simplesmento caído do prego que o segurava na parede, caso contrário teria caído em cima da cama. Para ter voado sobre a cama e caído no chão, foi como se alguém o tivesse arrancado da parede... É muito estranho..."


Imagem verdadeira, de um dos relatórios efetuados pelos agentes de polícia de St. Catharines, neste caso o agente Bill Weir - Fonte: http://xzonenation.blogspot.com/2011/01/shroud-of-secrecy-lifted-on-st.html

Em 1995, o programa de rádio X-Zone Radio & TV Show, apresentado por Rob McConnel, emitiu um programa especial dedicado aos acontecimentos paranormais ocorridos em 1970, em St. Catharines. Foram entrevistados alguns agentes de polícia que testemunharam os eventos, e os produtores do programa colocaram mesmo alguns dos relatórios oficiais da polícia na internet, tendo previamente o cuidado de ocultar o nome dos intervenientes, para proteger a sua privacidade. A foto mais acima, é um desses relatórios, feito pelo agente Bill Weir, no dia 10 de Fevereiro.

A leitura deste relatório não deixa de ser impressionante, acima de tudo porque não é mesmo nada comum um agente de polícia escrever num relatório, que na sua opinião alguém (neste caso o jovem Peter), estava a ser vítima de ataques por parte de um tipo de espírito, vulgarmente conhecido por poltergeist. Na parte final do relatório, Bill Weir diz que "eu próprio testemunhei por diversas vezes que o jovem não se consegue sentar numa cadeira, sem que seja atirado ao chão nesse momento". Aliás, Bill Weir contou ao seu colega, o agente Harry Fox, que ele próprio tinha sido atirado ao chão pelo poltergeist. Que força era esta que conseguia derrubar um agente de polícia robusto e experiente?


Agente Bob Richardson, da polícia de St. Catharines - Fonte: Dailymotion

Provavelmente, um dos acontecimentos mais impressionantes ocorreu no dia 11 de Fevereiro, e foi testemunhado pelos agentes de polícia Bob Richardson e Crawford, pelo detetive Sandy Sandison, por dois médicos, pelo padre Delaney, pelos pais de Peter Page e pelo seu irmão mais novo. Segundo Richardson, quando entraram no quarto do jovem, o mesmo estava sentado numa cadeira, a qual se ergueu nesse momento cerca de 15 centímetros no ar e voltou a cair de forma brusca no chão (ver imagem no início deste artigo). Este acontecimento também foi presenciado pelo advogado Andrew McQuilken, que na altura servia de representante da família junto dos media, uma vez que desejavam a todo o custo não serem importunados. Veja a seguir, o video (em francês), que procura recriar grande parte do que se passou. Também pode ver uma versão em inglês, neste link.


Michael Clarkson entrevistou o jovem Peter dez anos depois dos acontecimentos. Era um jovem normal, que acabou por ter muito sucesso na sua carreira e constituir uma família normal. Não tinha contudo muita vontade de falar sobre os acontecimentos de 1970. Os seus pais evitavam falar do assunto sob que pretexto fosse, e apesar de todos os esforços para permanecerem anónimos, tal era difícil numa comunidade pequena, e John passou por muitos problemas na escola, onde era constantemente atormentado pelos colegas.

Muitos dos agentes de polícia que testemunharam os acontecimentos afirmam nunca ter passado por uma experiência tão arrepiante como a que viveram no número 237 de Church Street. Bill Weir, por exemplo, dormiu durante muito tempo com o seu revólver de serviço por baixo do travesseiro. Em todos estes anos, nenhum deles retirou as suas afirmações e mantêm que os fenómenos paranormais que presenciaram, aconteceram de verdade. Até hoje, o poltergeist de St. Catharines, sobretudo devido à enorme quantidade de testemunhas (agentes de polícia, padres, advogados, médicos, etc.), mantém-se como um dos casos mais sólidos no seu género.